Talvez hajam feridas que nunca sarem, ou então somos nós que não as deixamos sarar. Talvez eu esteja, definitivamente, no segundo caso. Não deixar que as feridas sarem para que nunca nos esqueçamos do quanto aquilo doeu. Estamos sempre preparados e, ao mínimo sinal de alarme os nossos sensores ativam-se e ficamos em alerta máximo, mais protetores que uma prisão.
Hoje, aprendi que tenho feridas por sarar e outras que sararam. Mas, sobretudo, aprendi que as que sararam não deviam ter sarado. Não devia, nunca, ter-me esquecido do que me custou abrir o coração. Assim, não o teria feito outra vez.
O grande problema aqui, é que achamos sempre que vai ser diferente, que esta pessoa não nos vai magoar, mas aí, ela vem e magoa. Magoa mais. Então quando pelo caminho se perde um amigo, definitivamente a ferida não devia ter sarado nunca.
Ninguém tem a capacidade de nos magoar tanto quanto as pessoas que melhor nos conhecem - porque só essas sabem as cartas certas para te fazer deitar lágrimas no meio de uma multidão de gente. Quando se chega a este ponto acho que já pouco há a fazer, não é? A felicidade evaporou-se e o amor não consegue colar tudo indefinidamente. Depois vem a parte em que a vontade se evapora, em que já nem se quer tentar mais. Para quê? A cada facada a dor aumenta, mesmo quando achamos que nada pode ser pior que isto.
O coração, esse, pode não desistir. Mas em matéria de cabeça vs. coração eu estou farta de deixar o coração ganhar e o único resultado ser esta dor horrível no peito, como se me fosse partir a qualquer momento, em frente de quem quer que seja.
"Desta vez vai ser diferente."
"Não, não vai."
E depois disto tudo, foi um erro ou não foi? Depois disto tudo, há 2 anos e meio eu tinha razão ou não tinha? Pois, eu tinha.
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